ROTEIRO PARA TREINAMENTO DE CÃES EM SCHUTZHUND


PARTE I

Idade (meses)
0
2 1/2 - 3
Fases
Observação Iniciação - Proteção Fase I
Socialização Fase I Iniciação - Faro Fase I
Brincadeiras "parquinho" Iniciação - Obed. Fase I
  Socialização - Fase II
  Brincadeiras "parquinho

Muitas pessoas nos perguntam sobre a existência de um “roteiro” para treinamento de cães em Schutzhund.
Que idade começar, o que e quando fazer, a ordem em que deve ser treinado cada exercício, etc.
A resposta é que cada cão se desenvolve de uma forma e requer um tipo de treinamento. Mas diante de contínuas solicitações, montamos um roteiro básico de como entendemos que, na média, um cão deveria ser formado.
Este roteiro é útil para pessoas com pouca experiência e vai desde filhotes de poucos meses até a manutenção de cães já formados acima de 2 anos.
Salientamos que este roteiro é apenas uma linha mestra para orientação de pessoas com pouca experiência, ajudando-as a balizar seu treinamento com relação ao tempo e a quantidade de exercícios. Cada cão deve ser tratado de forma individualizada, sempre que possível e que a pessoa responsável tenha experiência para isto. Além disso partimos da premissa que o cão escolhido tenha os impulsos mínimos desejáveis para prática do esporte Schutzhund (ver estas características nos artigos publicados no site www.svcpa.org )

FASES:

Observação-
Objetivo: Perceber as características de cada filhote, seus pontos fortes e fracos, estabelecendo parâmetros para o trabalho posterior. Primeira fase de seleção, onde já se pode ter uma idéia da qualidade dos filhotes. Se necessário, pode-se separar os que possivelmente não atingirão os objetivos pretendidos.

Procedimento: Ir ao canil pelo menos duas vezes ao dia (manhã e tarde) antes dos filhotes comerem, soltá-los em um pátio e observar seu comportamento na matilha, com pessoas estranhas, com objetos estranhos, barulhos, pisos diferentes etc.. Após algum tempo de observação deve-se interagir com cada filhote individualmente mostrando brinquedos, paninhos, etc., sempre avaliando seu comportamento.
Deve-se marcar os filhotes (por exemplo, com fitas coloridas no pescoço) e fazer anotações a respeito das observações feitas.


Socialização- fase I –
Objetivo: Fazer com que os filhotes tenham uma boa interação com o meio externo tais como: pessoas, barulhos, pisos, objetos estranhos, outros cães, etc.

Procedimento: Expor os filhotes ao meio externo de forma gradual na região próxima ao canil, no pátio de brincadeiras. Deixar pessoas estranhas entrarem quando eles estiverem brincando, fazer barulhos diferentes etc. Ir adaptando este processo às características de cada filhote, tentando compensar suas fraquezas.

Importante: Diferentemente do processo de observação, neste processo não se está avaliando o cão e sim “ajudando” o cão a lidar com o meio ambiente. Deve-se saber das dificuldades de cada um e tentar saná-las.

Brincadeiras de “parquinho”-
a) Objetivo: Desenvolver nos filhotes a coordenação motora e acostumá-los a objetos e situações diferentes.

b) Procedimento: Colocar em uma área determinada, de preferência vizinha ao canil, brinquedos tais como arcos, tubos, mini gangorras, buracos etc. para que os filhotes brinquem juntos.

Iniciação/ Proteção Fase I-
a) Objetivo: Despertar e desenvolver o impulso de caça no filhote, familiarizando-o com o ritual do trabalho de proteção e o material utilizado (ex. barraca e bastão). Criar desde o início o mecanismo de “Liga e Desliga” na proteção. Criar no cão o mecanismo de latir para “fazer as coisas acontecerem” - útil posteriormente no ensino do exercício de “late e revista”.
b) Procedimento: O próprio condutor deve iniciar o filhote na brincadeira com o paninho, trabalhando de acordo com os impulsos do filhote. Após algumas seções de brincadeira, o filhote já pode ser apresentado ao figurante. Todo o material já deve estar presente, barraca, roupa de figuração, bastão etc. O ritual deve ser seguido desde o início. O figurante escondido atrás da barraca, filhote na guia etc. O mecanismo de “Liga e desliga” é criado com o ritual e com o condutor pronunciando sempre as mesmas palavras de incentivo precedendo o aparecimento do figurante.

Iniciação/faro fase I-
a) Objetivo: Apresentar ao filhote o mecanismo do trabalho de faro.
b) Procedimento: Pode-se iniciar com a “caixa de faro” ou com a pista. Nos dois casos deve-se proceder a rituais diferentes. O ritual da caixa de faro deve ser diferente do da pista sendo que este (o da pista) deve seguir desde o início o procedimento que se vai usar sempre que o cão for farejar, inclusive as palavras.
Importante: a pista nesta fase deve ser bem curta, no início 10 a 15 passos (não deve ser marcado muito forte e com o progresso do cão nas fases seguintes, deve-se ir marcando cada vez mais fraco), com o condutor ajudando o filhote com a voz, evitando trancos na guia e muito contato corporal. Deve ser dada ênfase para a brincadeira final, sempre proporcional ao esforço e atitude do cão e não necessariamente ao resultado final.

Iniciação/ Obediência fase I :
Objetivo: iniciar o filhote de forma lúdica em algumas rotinas da obediência. Fase de “imprinting”. Iniciar o aqui.
Procedimento: De forma sempre motivada e sem pressão de espécie alguma, brincar com o filhote mostrando a ele algumas rotinas da obediência como o junto, senta, deita e aqui. Usar comida ou o brinquedo para o “imprinting”. O treino deve ser bem curto. Um ou dois exercícios de cada vez. Prestar atenção que todo o procedimento deve ser feito de forma divertida.
Tempo de treinamento recomendado – de 1 a 3 minutos no máximo.

Socialização fase II :
Objetivo: o mesmo da fase I.
Procedimento: Como um desenvolvimento natural dos procedimentos da fase I, expor o filhote a situações progressivamente mais complexas, e intercalar os locais, de forma trazer as situações mais complexas no ambiente do filhote (próximo ao canil ou no “parquinho”) e levá-lo a áreas estranhas e expô-lo a situações menos complexas.

Glossário:
Caixa de faro: quadrado pisoteado no chão de grama ou terra arada, medindo aproximadamente uma vez e meia o comprimento do cão. Dentro dele e somente dentro dele, deve-se espalhar vários pedaços de comida. Deixando-se o cão comer nesta caixa, ele aprende que terreno com distúrbio (pisoteado) é igual à comida, apreendendo então a manter-se dentro dele, ou seja, no distúrbio do solo. É um método que pode ser usado no início do treinamento de faro para fazer o condicionamento do filhote.

Continua no próximo artigo

Sergio de Oliveira
Presidente da Sociedade Valeparaibana de Cães Pastores Alemães.

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