SVCPA NA ALEMANHA E ÁUSTRIA


A SVCPA tem acompanhado os principais campeonatos eventos pastoreiros mundiais no adestramento:
a) 1998, Campeonato Mundial em Boston - EUA;
b) 1999, Campeonato Mundial em Baunatal - Alemanha;
c) 2001, Campeonato Alemão (Bundessiegerprüfung - BSP) em Göttingen – Alemanha;
d) 2001, Campeonato Mundial em Maribor – Eslovênia.

Neste ano, acompanhamos novamente o Campeonato Alemão (BSP) em Lübeck na Alemanha e o Campeonato Mundial (Weltmeisterschaft - WM WUSV) em Steyr, na Áustria.

BSP 2002 em Lübeck:
A Bundessiegerprüfung é o evento mais esperado pelos amantes dos cães de trabalho da SV (Verein für Deutsche Schäferhund, principal clube pastoreiro da Alemanha). Eles se preparam o ano todo para competir pelo título de Bundessieger (campeão nacional).

Para participar da BSP, os cães passam por diversos testes. A SV possui 20 clubes estaduais (Landesgruppen) e cada um deles possui vários clubes municipais (Ortsgruppen). É o mais ou menos o que ocorre aqui: a Sociedade Paulista (Landesgruppe) possui vários núcleos municipais (Ortsgruppen), como a Sociedade Valeparaibana, a Sociedade Campineira, o Núcleo de Taubaté, etc. Só que aqui a escala é bem reduzida. Lá, numa pequena cidade com 76.000 habitantes, Rheine, onde mora nosso amigo Werner Rapien, há 3 (três) clubes da SV e mais 3 de outros clubes cinófilos (DVG, VDH, ...).

Um cão precisa passar pelas seletivas do seu Ortsgruppe e depois ser classificado entre os primeiros do Landesgruppe para participar da BSP. Os melhores de cada Ortsgruppe participam das qualificações estaduais, chamadas de LG-A (Landesgruppe Ausscheidung), bastante disputadas, onde chegam a participar até 60 cães.

Na BSP, a disputa é acirrada: são aproximadamente 140 cães, todos CG3, que participam das seções de Faro, Obediência e Proteção durante 3 dias.

Neste ano, a Obediência foi feita num campo pequeno, sem arquibancada e a Proteção aconteceu no campo principal. Participaram vários bons cães – como já publicado anteriormente, a BSP chega a ter um nível técnico mais alto do que o Mundial, pois todos os cães são equivalentes, todos bons.
Interessante lembrar que vários criadores assistem a BSP para selecionar os padreadores para suas fêmeas. Às vezes, excelentes cães não tiram notas tão altas porque não conseguem mostrar o seu potencial no dia da prova, ou porque não estão bem treinados ou porque aquele não é um bom dia para o cão: uma ligeira demora no Larga, um salto mal dado e lá se vão muitos pontos. Mas são estes cães que os criadores irão procurar, buscando, além dos “drives”, as melhores combinações das linhas de sangue (fator muito negligenciado no Brasil).

Outro componente importante na BSP ocorre na chamada “feira”. Os maiores fabricantes de equipamentos para cães de esporte montam barracas no recinto da BSP e este local também é muito concorrido durante todo o evento.

Curiosidades neste ano: a juíza da Obediência (sim, uma mulher!) era muito rigorosa e este foi um dos pontos que definiu os primeiros lugares; o Dr. Helmut Raiser participou desta BSP, mas não ficou muito bem colocado; Glenn Hühnengrasse, duas vezes vice-campeão (2000 e 2001) não se apresentou bem neste ano e deixou o título escapar mais uma vez; o trabalho dos figurantes deixou um pouco a desejar. O Bundessieger Anosch Adelmannsfelder Land, foi conduzido por uma mulher, Christine Lasser.

WM WUSV em Steyr, Áustria:
Os melhores cães de esporte do mundo se encontraram em Steyr, pequena cidade próxima de Linz, para disputar o Campeonato Mundial deste ano.
Como dissemos acima, o Mundial não tem cães de um mesmo nível: países que estão começando e ainda não têm tradição no esporte (Tailândia, Taiwan, Coréia, Argentina, etc) mandam os seus melhores cães, mas estes não têm o mesmo nível competitivo dos alemães, belgas, austríacos, americanos e japoneses, por exemplo.

Neste ano, surpreendeu a participação da Itália (sede do próximo Campeonato Mundial, com excelentes cães na Proteção e que ficou com 2. Lugar individual).

A Inglaterra participou pela primeira vez em anos, por causa da restrição de quarentena para os cães (6 meses) que existia naquele país.

Um fato que chamou a atenção geral e que está se tornando cada vez mais freqüente é a participação de pessoas de outras nacionalidades disputando o campeonato para outros países: vimos um belga competindo pela Tailândia, por exemplo.

Outra vez um ponto negativo foi a atuação dos figurantes: num evento deste porte, logicamente esperava-se que o trabalho fosse impecável, mas não foi isto que aconteceu. Com relação a este tópico é preciso salientar que nossos figurantes de prova vêm evoluindo bastante. Como exemplo podemos citar nosso Campeonato Brasileiro de Adestramento de 2002. Quem assistiu viu atuações do mesmo nível das apresentadas em provas de nível internacional

Destaque para o juiz da Proteção, da Espanha, que foi muito coerente em seu julgamento. Um incidente ocorreu neste Mundial: quando um dos cães belgas conseguiu apenas 92 pontos na Proteção, alguns torcedores daquele país portaram-se como verdadeiros “hooligans”, xingando e provocando o juiz através da cerca que separava a arquibancada do campo. Realmente, um fato lastimável que esperamos que não se propague no nosso esporte.

No último dia a expectativa é imensa: como nas outras vezes, o campeão só foi conhecido no derradeiro minuto, após a apresentação das fêmeas no cio, as últimas a competir. Vários cães, no último dia de competição, têm a chance de sagrar-se Campeão do Mundo e o público faz as contas para ver quantos pontos este ou aquele cão têm de tirar para conseguir chegar ao título – realmente emocionante!

Uma cadela alemã, Quaste Ankerütt (2. Lugar na BSP), conseguiu A=97, B=97 e fez a proteção no último dia (precisava de 96 para ganhar). O estádio estava lotado para assistir esta seção, que definiria o seu lugar no podium. Infelizmente, pequenos problemas e uma ligeira demora para largar puseram fim ao sonho de ser uma fêmea a campeã do mundo deste ano (terminou em 3. Lugar).

Este ano o Brasil não esteve presente. Ainda vai demorar algum tempo para participarmos com chances de obtermos posições de destaque pois não somos um pais com a cultura para este tipo de esporte, o número de praticantes é pequeno e existe uma enorme carência de verdadeiros cães de trabalho. No entanto as coisas tendem a melhorar no médio prazo. O esporte tem ganhado novos adeptos, a qualidade dos cães e figurantes vem melhorando consideravelmente e seminários com gente importante do esporte são realizados todos os anos. É esperar para ver.

Desta vez a Alemanha ganhou tudo. Fez o primeiro lugar individual e o primeiro por equipe.

Até a próxima!

Equipe SVCPA – Outubro/2002

VOLTAR