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Existe coisa mais patética do que uma pessoa “passeando”
com seu cão pela rua e o dito cujo querendo morder a tudo e a todos,
assustado com barulho de carros, quase se enforcando de tanto puxar a
própria guia, as pessoas que caminham na calçada tendo que
atravessar a rua , apavoradas com aquela verdadeira cena de terror, etc,
etc ? Difícil não é?
Esta cena, além de ser uma situação bem comum, envolve
grande risco aos transeuntes , ao dono do animal e ao próprio cão.
Como evitar? A palavra é SOCIALIZAÇÃO!.
Poucas pessoas sabem da importância da socialização
de seu cão. Pois bem, pretende-se nestas linhas tentar esclarecer
alguns aspectos desta socialização.
Socializar um cão é faze-lo interagir com os seres humanos
e com o ambiente onde vivem os humanos, da forma mais natural possível.
Os benefícios são inúmeros, tanto para o cão
e seu dono quanto para a comunidade em geral.
Com um cão socializado adequadamente, o risco de acidentes como
agressões sem motivo a pessoas ou outros animais são muito
menores, podendo mesmo ser nulo dependendo do temperamento do cão.
Pois bem, o processo de socialização do cão é
bastante simples. Tudo começa com o filhote. Quanto mais cedo este
processo se inicia, mais rápido e melhor serão os resultados.
A idéia básica é expor o animal ao ambiente humano
progressivamente, de forma que ele se sinta perfeitamente à vontade
neste meio. Lembre-se que o ambiente em que vivemos compreende outras
pessoas, eventualmente multidões, sons de diversas tonalidades
e intensidades, odores variados, pisos de diversas rugosidades, escadas,
automóveis, florestas ,etc. Enfim nosso ambiente é bem variado
e é importante, por motivos de segurança até, adaptarmos
nosso cão a ele.
Esta adaptação deve ser feita de forma progressiva e respeitando
sempre o temperamento do cão.
Didaticamente , pode-se usar como exemplo dois extremos do temperamento
canino:
1- Existem cães que naturalmente se sentem seguros nos mais diversos
ambientes, sendo bastante simples o processo de socialização,
bastando expô-los aos mais diversos ambientes humanos e eles se
adaptarão sem problemas.
2- Existem, porém , cães bastante inseguros quanto a ambientes
novos ou pessoas estranhas, e seu comportamento pode ser bastante afetado
nestas condições. Não respondem adequadamente ao
estímulo externo, podendo muitas vezes reagir agressivamente (defesa)
a movimentos bruscos feitos por outras pessoas ou animais, o que pode
ser perigoso e causar graves acidentes, principalmente com crianças.
Com estes cães a socialização é imperativa.
Deve-se, com todo o cuidado, ir expondo o animal gradativamente à
proximidade de pessoas, provocando situações do cotidiano
e, encorajando-o a enfrenta-las. Quando o cão se mostrar agressivo,
deve-se corrigi-lo prontamente e mostrar e ele que a situação
não oferece perigo. Este tipo de cão deve ser sempre encorajado
a explorar novos ambientes ( com a supervisão do condutor, quando
necessário). Com o passar do tempo e aumento da confiança
do cão, deve-se ir expondo-o pouco a pouco , a situações
mais complexas , sempre seguindo os conselhos anteriores. Com muita paciência
e alguma técnica, é surpreendente o progresso que se consegue
nestes casos .
Nos casos mais graves de insegurança é desaconselhável
que se adestre o cão para proteção pessoal ou mesmo
guarda de residências. Nestes casos o cão deve ser adestrado
visando apenas obediência, enfatizando o controle do animal nas
mais diversas situações.
Certamente entre estes dois extremos de comportamento vistos acima está
a maioria dos cães, indivíduos com características
próprias. Alguns podem se mostrar seguros em determinadas situações
e inseguros em outras, podem enfrentar sem problemas multidões
e se assustar com barulhos por exemplo. De qualquer forma deve-se usar
o bom senso em cada caso e conhecer muito bem o cão que está
em processo de socialização, lembrando que este processo
é contínuo. Alguns progridem mais rapidamente, outros mais
lentamente mas sem dúvida a socialização irá
beneficiar a todos, cão, proprietário e principalmente a
comunidade.
Sergio de Oliveira
Presidente da Sociedade Valeparaibana de Cães Pastores Alemães.
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