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NÚCLEO DE CRUZEIRO DA SOCIEDADE
PAULISTA CÃES PASTORES ALEMÃES Aí está um boletim originado num parto
da montanha. Não é fácil falar das linhas de trabalho
num país em que o trabalho com o cão consegue ser muito
menor que o já incipiente executado nas linhas de estrutura. Claro,
não está completo. Falta tudo do trabalho dos norte-americanos,
japoneses e belgas que estão em grande evolução.
Dos extraordinários cães de trabalho das terras orientais
da Alemanha, da República Checa e da Eslováquia pouco se
sabe no ocidente, a não ser nos meios mais qualificados. Mas, creio,
terá alguma utilidade aos amantes dos cães pastores alemães
ditos das linhas de trabalho. Pelo menos aguçará os seus
interesses na busca de maiores conhecimentos. Desculpem, devem haver incorreções
e até algumas incoerências. Afinal, é assunto virgem
entre nós. Se servir para amainar as brigas, já valeu a
pena. ONDE TUDO ACONTECEU... Há séculos, quando o homem perdeu as suas características nômades tornando-se um sedentário plantador e criador de animais para a sua subsistência, houve a necessidade de guardiões dos seus bens contra outros animais e ladrões. Esperto, como sempre, o homem começou a olhar com outros olhos os lobos e os ancestrais dos canídeos que o acompanhavam em suas andanças na expectativa dos restos das caças que o alimentava e vestia. As tentativas de domesticação do lobo foram infrutíferas e os belos lupinos continuam, até hoje, a ter a liberdade que o homem perdeu com o sedentarismo (ver, no boletim 66, História ou Estória do Lobo Mau). A domesticação dos canídeos foi um sucesso. Com a evolução do tempo alguns canídeos desenvolveram, naturalmente de início e sob um controle de criação muito tosco e prático posteriormente, comportamentos e fenotipos adequados para as duas atividades mais importantes para o homem primitivo: a caça e a guarda dos rebanhos de ovelhas. Na região onde é hoje a Alemanha foram desenvolvidas raças de cães pastores adaptadas ao clima e acidentes geográficos de cada região. Claro que os pastores, durante os seus encontros festivos e comerciais, jactavam-se das qualidades dos seus cães no trabalho. Proprietários levavam suas fêmeas para ser cobertas pelos machos mais famosos e, da ninhada, separavam os mais parecidos fenotipicamente com o pai. Trocavam exemplares com outros grupos de pastores e mantinham registros de criação, vamos dizer, informais. Mas, num processo de seleção determinado pelas necessidades, foram chegando a animais com comportamento e fenotipo cada vez mais eficientes para as atividades pastoreiras.
Quando Stephanitz surgiu no cenário existiam 3 tipos bem definidos de cães pastores na região da Alemanha. Todos muito inteligentes, atentos, rústicos e excelentes andadores. Além da excelência para o trabalho os tipos eram adaptados para as condições climáticas e geográficas das regiões em que viviam. Os cães das regiões mais planas do norte eram menores, mais ágeis e trotadores de excelentes passadas, qualidades muito propícias para acompanharem a movimentação mais rápida e com coberturas de distâncias maiores dos rebanhos de ovelhas. No sul, região do Württenberg, terras acidentadas determinadas pelo derramamento dos Alpes, os cães pastores eram mais compactos, pesadões e com grande vigor físico, aptos a acompanharem os rebanhos colinas acima ou abaixo na busca das forrageiras. No centro da Alemanha, na Francônia, um dos cinco ducados medievais, nas terras da atual Baviera e com centro vital na cidade de Würzburg, combinação das duas geografias anteriores, os cães, peludos, eram uma mescla dos outros dois tipos. Não havia muita preocupação com a pelagem dos animais, havendo cães de pêlo longo e pêlo curto, as cores eram muito variáveis, desde o branco até o preto, misturas de cores num mesmo animal e, vejam só, até animais com colorações semelhantes às hoje mais aceitas. Nos anos finais do Século XIX, Stephanitz, com idéia de colocar os cães pastores da Alemanha dentro de um só padrão, o tempo mais disponível por estar nos seus últimos anos de caserna, a determinação e a disciplina próprias dos militares e, não poderia deixar de ser, o amor pelo trabalho executado pelos cães percorria, com vários amigos, as diversas regiões pastoreiras. Aumentava os seus conhecimentos sobre os tipos de cães mais usados. Sabia da existência de cães resultantes dos cruzamentos dos três tipos predominantes e, olhos atentos, procurava um cão base para o início do seu sonho. Interessante. Diferentemente dos amantes e estudiosos dos cães que buscavam o resgate de algumas raças em vias de desaparecimento, como o Mastino Napolitano, procurando raros exemplares característicos das mesmas, Stephanitz, pelo contrário, buscava um ou vários exemplares representativos da média de 3 tipos de cães existentes em números apreciáveis. Não buscava resgatar uma raça já bem definida e sim o somatório positivo de raças existentes. Como muitas das grandes descobertas da humanidade, o encontro foi ao acaso e fortuito. Num 3 de abril de 1899, em Karlsruhe, cidade que hoje é uma das principais sedes das siegers, inclusive da sieger do centenário da SV, em 1999, Stephanitz assistia a uma exposição de todas as raças. Junto, um dos amigos prediletos, Arthur Mayer, participante dos sonhos do capitão de cavalaria e outro observador perspicaz de cães do qual a história pastoreira pouco fala. Um olho na pista e outro no que acontecia nos arredores, aliás nos arredores muitas vezes ocorre o mais importante, viram, próximo ao seu dono, um cão amarelo e cinza, não muito grande e muito parecido com um lobo. Estava ali de alegre, sendo um cão de trabalho e não de show. Antenas ligadas, aproximaram-se, puxaram conversa com o dono do animal e, pedindo para o animal dar uma andadinha, notaram que, mesmo sendo muito forte, possuía movimentação ágil e grande firmeza de ligamentos.
Eureka, devem ter pensado os dois amigos. Putz, diriam hoje os mais jovens. Estava ali o que HORAND E MARY procuravam. Notem a sutile... Para mais... faça o download do arquivo. Este boletim é o de número 85 atualizado com os cães colocados nos primeiros quarenta lugares da SV-Bundessiegerprüfung de 2001, realizada em Göttingen ( destacados pela cor xxxx), e com os cães das linhas de trabalho trazidos da Alemanha e que estão no Vale do Paraíba, principalmente S. José dos Campos (destacados pela cor xxx). Pretendo anualmente atualizar o boletim, mantendo os amantes das linhas de trabalho por dentro das novidades. |
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