A Ética e o Adestramento

ATÉ QUE PONTO VOCÊ IRIA PARA GANHAR ????

A arte de adestrar cães é uma atividade extremamente envolvente, gratificante, viciante mesmo.
O treinamento em alto nível exige muito do treinador e de seu cão.
O ritmo das provas embriagam , a competição cega e as vitórias enaltecem.
Mas, a pergunta é: até onde você chegaria para conseguir os 100 pontos?
Um piloto de formula 1 pode exigir o máximo de sua máquina sem maiores preocupações, motores, pneus, bielas, tudo pode ser usado e abusado sem problemas, a não ser financeiro é claro. Será que podemos fazer o mesmo com nossos cães? Creio que não.
Existe princípios éticos envolvidos. E é importante para o esporte e para todos nós que estes princípios éticos sejam respeitados.
Conduzo cães de esporte a algum tempo. Sem hipocrisias, as correções, muitas vezes duras são necessárias, sem elas não se chega a perfeição. Há necessidade, algumas vezes de privação de comida antes de um trabalho de faro, etc, etc. Todos estes procedimentos, porém devem estar norteados por princípios éticos que preservem a atitude, saúde e a dignidade do cão.
Os mais inteligentes percebem rapidamente que “pau” no treino não significa vitória na prova, muito pelo contrário. Um cão “quebrado” é facilmente identificável e deveria ser severamente punido na pontuação.
Do cão de trabalho espera-se que trabalhe. Um bom trabalho depende da parte genética do cão e do manuseio correto. Os excessos muitas vezes vêem quando se quer compensar deficiências genéticas ou na técnica de treino com forçamento. Quando o resultado não é atingido ( e isto acontece na maior parte das vezes), aumenta-se o forçamento até extremos desnecessários e até mesmo perigosos para o cão. É o caminho mais fácil, mas os efeitos são sempre duvidosos. É mais eficiente e produtivo, verificar antes de mais nada se os problemas de treinamento não são decorrentes de problemas de aptidão do cão ou de falta de talento do treinador.
Forçamentos extremos quase sempre denotam falta de competência do treinador, ou para aplicar a técnica certa, ou para reconhecer as deficiências genéticas ou de treinamento do cão.
Este artigo não é uma apologia do estímulo positivo puro. Na grande maioria das vezes isto não funciona. Nem para seres humanos nem para cães. O estímulo negativo é necessário e até salutar , mas se não estabelecermos princípios éticos nos treinos corremos o risco de, na ânsia de vencer, perdemos a noção do bom senso. Esta linha limítrofe é muito tênue. Precisamos ficar atentos.
Uma armadilha perigosa é que, ultrapassando freqüentemente este limite, vamos aos poucos perdendo a sensibilidade, perdendo totalmente nossos princípios éticos e com isto colocando em risco a própria continuidade do esporte que tanto amamos.


Sergio de Oliveira
Presidente da SVCPA



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