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Com a crescente onda de violência que assola nosso país,
muitas pessoas compram cães de grande potência física,
classificados como cães de guarda para se protegerem. O manuseio
errado destes animais podem torna-los perigosos não só para
a comunidade como também para os próprios donos.
Estatísticas
A Mídia noticia freqüentemente casos de acidentes envolvendo
cães que atacam e ferem gravemente pessoas, não raramente
matando-as . Muitas vezes estes ataques acontecem dentro da própria
casa onde mora o animal. Crianças e idosos são vítimas
freqüentes.
Nos Estados Unidos, estatísticas mostram que 60% dos acidentes
envolvem crianças. Aqui em São José dos Campos os
números são alarmantes : são oficialmente registrados
mais de 300 casos por mês!, de fato este número tende a ser
bem maior pois muitas pessoas não procuram atendimento médico
nem relatam o ocorrido nos órgãos municipais responsáveis.
Causas
Estes acidentes estão geralmente relacionados ao mau manuseio do
animal pelo proprietário e/ou adestrador e em alguns casos a imprudência
da vítima.
Cabe ao proprietário ter a posse responsável do cão
, socializando-o e adestrando-o de forma correta e responsável,
procurando sempre pessoas idôneas e de boa capacidade técnica
para tal.
A escolha do filhote é também é muito importante.
É um momento em que a razão deve prevalecer sobre a emoção.
Deve-se sempre solicitar a orientação de uma pessoa com
experiência e conhecimento suficiente para fazer a seleção.
Socialização e adestramento
Desde filhote o cão deve ter contato , dentro do possível
, com outros cães, pessoas, ambiente externo à sua casa,
enfim contato com o ambiente de vida humano de forma que os acontecimentos
do cotidiano passe a ser natural para ele ( ver artigo sobre socialização).
Todo o cão comprado para a guarda, seja pessoal ou de território,
deve ser adestrado para obediência básica e , somente quando
seu temperamento assim o permitir, ser treinado para fazer serviço
de proteção. Ou seja, nem todos indivíduos de uma
determinada raça usada como “ cão de guarda”
servem para este fim. Quando se treina um cão sem o temperamento
adequando para fazer serviço de proteção entra-se
em um terreno muito perigoso onde o risco de acidente é eminente.
É importante ter em mente que a avaliação dependerá
do propósito e do tipo de proteção que se exigirá
do cão. Por exemplo um cão que fará proteção
pessoal terá características diferentes de um cão
que fará guarda do quintal de uma casa, ou será usado em
lugares onde não terá contado com pessoas. E nestes dois
últimos casos, precisa-se saber se o cão servirá
somente para dar “ alarme” ou se precisará agir quando
alguém adentrar a residência ou nos lugares protegidos.
Hierarquia na família
Uma vez adquirido o cão que conviverá com a família,
deve-se desde o início estabelecer claramente as distinções
hierárquicas. Os membros da família devem estar acima do
cão na escala hierárquica, tomando especial cuidado com
relação as crianças. Nestes casos as fêmeas
tendem a ser menos dominantes e mais fácil de aceitar uma posição
mais baixa na hierarquia, e freqüentemente não disputam lugares
de dominância com o líder.
Crianças
Deve-se prestar especial atenção a qualquer sinal de dominância
do cão com relação a crianças. Alguns sinais
típicos são por exemplo, o cão durante brincadeiras
querer se posicionar sobre a criança adotando uma postura de dominância
, rosnar impedindo-a de transitar ou acessar determinados locais , urinar
em cima delas etc. Nestes casos , o cão deve ser imediatamente
corrigido , de preferência pela própria criança (
caso de filhotes ou cães jovens) mostrando a ele seu lugar na hierarquia
familiar. Uma outra pessoa pode tomar esta atitude de repreensão
, mas não será tão eficaz pois o cão não
apreende que a criança é hierarquicamente superior e pode
repetir o comportamento quando estiver sozinho com ela . No caso de cães
adultos demonstrando este comportamento de dominância , aconselha-se
a evitar o contado com crianças pois o risco de acidente é
potencialmente muito alto. De qualquer forma o mais aconselhavel é
nunca deixar crianças sozinhas com cães sem a supervisão
de um adulto.
Grupos de cães
Outro aspecto importante é o número de cães a se
ter em casa. Os cães são seres gregários e tendem
a formar grupos ( matilhas) com hierarquias estabelecidas e, a depender
do temperamento dos cães envolvidos, podem apresentar maiores problemas
no trato, ficarem mais resistentes à correções e
em caso de agressões , estas serem muito mais graves pois eles
agem em grupo, causando danos muito maiores.
Não é raro acontecer brigas entre eles e , na tentativa
de controla-las, o proprietário pode ser ferido gravemente. Por
isso não é aconselhável pessoas inexperientes possuírem
vários “ cães de guarda” convivendo juntos pois
o manuseio do grupo de cães tende a ser muito mais difícil.
A mídia está repletas de casos de agressões provocadas
por grupos de cães . Estas agressões muitas vezes não
aconteceriam ou não teriam desfechos tão trágicos
se envolvessem apenas um cão.
Como agir em situações de perigo
Em muitas situações as mordidas de cães
podem ser evitadas bastando ter em mente o que fazer.
Alguns conselhos úteis:
- Não tome liberdades com cães estranhos, mesmo com o consentimento
do condutor.
Ensine as crianças a fazerem o mesmo.
- Se um cão estranho e potencialmente perigoso vier cheirar você,
fique calmo e não se mova. Ele possivelmente irá embora.
- Se um cão vier em sua direção com atitude ameaçadora
não fuja a não ser que tenha certeza que atingirá
um lugar seguro antes de ser alcançado pelo cão. Fique calmo
e dentro do possível não demonstre medo, não grite
( se tiver que falar algo, fale calma e firmemente) e evite contato visual.
Na maioria das vezes o cão mudará de atitude e irá
embora.
- Caso o pior aconteça e você seja mordido, procure não
mexer o membro atingido, pois isto estimulará o cão a morder
mais forte. Se você cair no chão, fique em posição
fetal, protegendo sua face e nuca com as mãos.
Como agir após um acidente
Caso seja mordido ou arranhado por um cão :
- Lave imediatamente o local com água em abundância e sabão.
- Procure um centro de saúde ou pronto socorro mais próximo
para que seja corretamente medicado e vacinado se for o caso.
- Não abandonar o tratamento iniciado.
- Não matar o animal .
- Mantê-lo preso por 10 dias para observação.
- Notifique o Centro de Controle de Zoonoses.
Sergio de Oliveira
Diretor de adestramento da Sociedade Valeparaibana de Cães
Pastores Alemães.
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