| AGRESSÃO
CAPÍTULO II - OUTROS TIPOS DE AGRESSÃO

AGRESSÃO INDUZIDA POR MEDO
Medo pode ser definido como:
“Perturbação resultante da idéia de um perigo
real ou aparente ou da presença de alguma coisa estranha ou perigosa;
pavor, susto, terror” - Dicionário Michaelis.
Conforme definição de Beaver BV, The Veterinarian´s
Enclyclopedia of Animal Behavior, University Press, 1994:
“Medo é uma sensação de desconforto ou constrangimento
causada pela proximidade de um objeto ou indivíduo particular”
Cães que experimentam a sensação do medo podem responder
ao estímulo com uma atitude de fuga, submissão ou agressão.
Esta última forma de resposta produz o chamado “Mordedor
por medo” ou como dizem muitos “mordedor de medo”, cão
bastante propenso a causar acidentes.
Por exemplo, uma criança que se aproxima do cão rapidamente
mantendo contado visual pode ser fonte de medo para um cão inseguro
e, se este responder ao medo com agressão, o resultado pode ser
facilmente previsível. Situações que causam dor ou
perspectiva da dor a um mordedor por medo , também podem ser respondidas
com agressão, não pela dor propriamente dita, mas pela sensação
de medo experimentada.
Desta forma um mordedor por medo é inseguro quanto às experiências
corriqueiras tais como encontros sociais, proximidade com objetos estranhos,
etc. e está sempre pronto a responder com agressão a esta
insegurança.
É interessante notar que um mordedor por medo exibe muitas vezes
uma linguagem corporal bastante ambígua. Enquanto a parte anterior
pode exibir sinais que seriam de dominação tais como olhar
fixo e dorso mais alto - apesar da cabeça estar geralmente mais
baixa, as patas traseiras podem estar flexionadas e a cauda entre as pernas
em sinal de submissão.
As estatísticas mostram que a mordedura por medo representa até
23% dos casos de agressão e que a taxa tende a ser maior em fêmeas,
sendo que a castração não influi no comportamento,
tanto de machos como de fêmeas.
Freqüentemente as causas deste distúrbio de comportamento
são genéticas, podendo, entretanto, também ter causas
ambientais.
Em casos de mordedores por medo, o mais correto a se fazer é a
dessensibilização, ou seja, expor o animal gradativamente
a situações de gerariam medo e deixá-lo confortável,
através de recompensas como comida e carinho. É interessante
também corrigi-lo quando ele mostrar agressão. Com o tempo,
a tendência é a diminuição das agressões,
e em alguns casos, de forma bastante pronunciada. Entretanto é
importante salientar o problema nunca cessará definitivamente e
por completo, principalmente se for por causas genéticas, devendo
o proprietário ficar sempre atento a situações que
podem causar medo ao seu animal.
AGRESSÃO ENTRE CÃES DO MESMO SEXO.
Agressão entre cães de sexos diferentes
é quase inexistente sendo a agressão intra-sexual muito
mais importante. Nesta modalidade a agressão entre machos é
relativamente comum, sendo exibida mais freqüentemente em machos
não castrados. Já a agressão entre fêmeas é
menos comum, mas não é rara.
A modificação do comportamento através de estímulos
positivos e correções pode ajudar, mas na maioria das vezes
quando dois machos ou duas fêmeas que compartilham o mesmo espaço
físico mostram sinais de agressão intra-sexual, a melhor
maneira de resolver o problema definitivamente é a separação
física dos envolvidos.
É importante lembrar que a briga entre cães pode ser bastante
violenta e o proprietário ou outra pessoa deve tomar todo o cuidado
na tentativa de separar os cães, para não se ferir.
AGRESSÃO PROTETORA DE OBJETOS:
Este tipo de comportamento é relativamente comum,
17% dos casos de agressão, aproximadamente - Beaver BV, The Veterinarian´s
Enclyclopedia of Animal Behavior, University Press, 1994. O cão
guarda com agressividade, brinquedos que ele gosta ou objetos roubados
tais como panos ou objetos do lixo. O problema também pode estar
relacionado com dominância. Muitas vezes o proprietário reforça
tal comportamento trocando tal objeto por comida, desta forma o cão
se sente recompensado e estimulado a repetir tal atitude. Outras vezes
o proprietário recua diante da atitude agressiva do cão,
estimulando novamente o comportamento.
Nestes casos o importante é mostrar ao cão, desde cedo,
que o brinquedo pertence ao proprietário. O cão terá
a chance de brincar com o objeto, mas a brincadeira deverá acabar
assim que o proprietário quiser e o brinquedo deve ser retirado
do cão.
Quando o animal aceitar esta situação o problema cessará.
AGRESSÃO PROTETORA DE ALIMENTOS:
Em alguns cães a agressão protetora de
alimentos pode estar relacionada com situações de dominação
enquanto que para outros não apresenta relação com
qualquer outro tipo de agressão. Não é um problema
fácil de se eliminar, pois é um comportamento diretamente
ligado a sobrevivência.
Uma atitude correta do proprietário é mostrar ao cão,
desde cedo, que uma atitude agressiva na hora da alimentação
significará, por exemplo, deixar de ser alimentado naquele momento,
pois a comida será retirada.
Em um cão adulto, o problema já se mostra bem mais difícil
de ser resolvido, principalmente se estiver relacionado à dominância.
O processo que poderá ser empregado para solucionar ou amenizar
o problema é o mesmo descrito acima, obviamente com muito mais
dificuldade em sua execução.
Sergio de Oliveira
Presidente da Sociedade Valeparaibana de Cães Pastores Alemães.
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